Santidade é coisa do passado!



No mês de novembro a Igreja celebra, no dia primeiro (ou no Domingo seguinte), o Dia de todos os santos. Muitas vezes as pessoas dizem que “ser santo é coisa do passado”, “não nasci para ser santo”, “é impossível ser santo neste mundo”. Entretanto, na Sagrada Escritura, já no Antigo Testamento, Deus nos diz: “Sede santos, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo.” (Lv 19,2). E insiste: “Santificai-vos, e sede santos, porque eu sou o Senhor, vosso Deus.” (Lv 20,7). Já no Novo Testamento Cristo vai mais além: “sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.” (Mt 5,48) Portanto, como é possível chegar à santidade?
A Igreja sempre nos recorda que todos os batizados somos chamados à santidade, não importa qual estado de vida abraçado: se bispo, se padre, se religioso (a), se leigo (a), etc. A fim de reafirmar este chamado, na Solenidade de todos os santos, que celebramos neste mês, comemoramos todos os fieis que se santificaram ao longo de suas vidas, tanto aqueles declarados oficialmente pela Igreja (São João, São José, Santa Paulina, etc), como todos os Josés e as Marias que viveram no total escondimento a sua santidade. Afinal de contas, quantas vezes não convivemos com pessoas que deixavam transparecer a sua santidade?
Essa multidão de santos está unida, no céu e a nós, aqui na terra – eis a comunhão dos santos. Assim nos explica a Igreja, no Catecismo (n. 957) “Não é só por causa do seu exemplo que veneramos a memória dos bem-aventurados, mas ainda mais para que a união de toda a Igreja no Espírito aumente com o exercício da caridade fraterna. Pois, assim como a comunhão cristã entre os cristãos ainda peregrinos nos aproxima mais de Cristo, assim também a comunhão com os santos nos une a Cristo, de quem procedem, como de fonte e Cabeça, toda a graça e a própria vida do povo de Deus.
Mas o que é ser santo? Ser santo não é não cometer pecados, pois todo o ser humano é falível e propenso ao pecado. Assim nos dizia Santo Agostinho que, após sua conversão, experimentava muitas dificuldades para seguir a Jesus; mas, olhando para a vida dos santos, enchia-se de coragem dizendo: “Fui pecador como os santos foram, por que não posso ser santo como eles o são hoje?” Ser santo é saber reconhecer-se pecador e procurar cada dia ir melhorando, ir se aperfeiçoando, ouvindo e praticando as palavras de Jesus, amando a Deus e ao próximo, desprendido dos bens deste mundo, acolhendo e perdoando, atentos às bem aventuranças (Mt 5, 3-11; 25, 31-46): ser pacífico, ser generoso,  ser caridoso,  ser acolhedor,  chorar com os que choram, dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede...
Mas em nosso mundo atual, realmente a santidade parece impossível. Porém, somos convidados, a exemplo dos santos e santas que a Igreja nos apresenta, a anunciar o Evangelho e praticá-lo na família, na comunidade, na Paróquia, entre os amigos, no trabalho, enfim, no dia-a-dia. A santidade não é inatingível, porque ela deve ser vivenciada nas coisas simples, nas coisas comuns, no cotidiano da vida cristã. E ter a um santo ou a uma santa como intercessor junto de Deus não é errado; é como olhar o porta-retrato do pai ou da mãe e passar a mão naquela fotografia que nos relembra a pessoa querida e nos interpela a ser santo ou a evangelizar como aquela pessoa, cuja ausência se torna uma presença pelo amor que lhe devotamos.
Que Deus nos dê as forças necessárias para buscarmos e alcançarmos a santidade; ela é fruto do esforço pessoal, mas é também uma graça divina, fruto da encarnação de Cristo e da força do Espírito Santo. Que neste mês de novembro, todos os santos e santas de Deus possam interceder junto d’Ele por nós e por nossos parentes e amigos falecidos, entre os quais, por que não, pode haver muitos santos!

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