O Ano Litúrgico: um pouco de liturgia



Muitas vezes dentro da igreja ouvimos falar em Ano Litúrgico. Mas o que significa tal expressão? Muitas vezes não temos clareza o suficiente. Por isso desenvolverei resumidamente alguns tópicos acerca desta temática.
O Ano Litúrgico é a história da salvação em ato, ou seja, nos apresenta toda a história da salvação ao longo do ano (é importante notar que o Ano Litúrgico não coincide com o Ano Civil). É, portanto, a forma com a qual a Igreja santifica o tempo, dando centralidade ao Mistério Pascal de Cristo (seu sofrimento, morte e ressurreição), que antigamente, devido a um devocionismo distorcido, foi ofuscado.
Deste modo, o Ano Litúrgico se estrutura ao redor de dois grandes ciclos. O principal deles é o Ciclo da Salvação, que compreende a Quaresma, a Semana Santa (Paixão e Morte do Senhor), a Vigília Pascal (ponto máximo do Ano Litúrgico), a Páscoa propriamente dita e o Tempo Pascal; o segundo é o Ciclo da Manifestação, que compreende o Advento, a Solenidade do Natal e a Epifania do Senhor. O Tempo Comum (maior tempo litúrgico), que não pertence a nenhum dos dois ciclos, celebra o Mistério de Cristo em sua totalidade.

 CRISTO REI, ADVENTO, NATAL: 




Domingo passado celebramos a Solenidade de Cristo Rei, a qual é sempre celebrada no último Domingo comum. Esta Solenidade foi instituída por Pio XI em 1925. Assim sendo, com a Solenidade de Cristo Rei e a semana que se segue a ela (portanto a semana em que nos encontramos), encerra-se o Tempo Comum e no próximo Domingo iniciaremos o Tempo do Advento, e com ele um novo Ano Litúrgico.
O Tempo do Advento possui um duplo aspecto: preparação para o Natal (primeira vinda de Cristo) e expectativa para a segunda vinda de Cristo, no final dos tempos (Parusia). Por isso é um tempo de piedosa e alegre expectativa. Começa com as primeiras vésperas do Domingo posterior à festa de Cristo Rei e termina antes das primeiras vésperas do Natal. Os domingos desse tempo são chamados 1º, 2º, 3º e 4º Domingo do Advento.
Os dias de semana de 17 a 24 de dezembro, visam uma preparação imediata do Natal e têm um destaque todo especial. Na Liturgia das Horas, mais especificamente, nas Vésperas desses dias (17-24), a Reforma Litúrgica conservou as riquíssimas “antífonas do Ó”, para o Magnificat. São sete antífonas riquíssimas em conteúdo bíblico e cheias de lirismo, que exprimem um espanto comovido da Igreja na contemplação do Mistério da vinda de Cristo; elas são assim chamadas porque sempre se iniciam com um “Ó”, tomando os títulos clássicos das imagens bíblicas:
 DIA 17 -“Ó Sabedoria, que saístes da boca do altíssimo...”;
DIA 18 - “Ó Adonai, guia da casa de Israel...”;
DIA 19 - “Ó Raiz de Jessé, ó Estandarte ...”;
DIA 20 - “Ó chave de Davi, Cetro da Casa de Israel...”;
DIA 21 - “Ó Sol Nascente, justiceiro, Resplendor da Luz Eterna...”;
DIA 22 - “Ó Rei das Nações, desejado dos povos, ó Pedra Angular...”;
DIA 20 - “Ó Emanuel: Deus-conosco,... Rei Legislador,... Esperança das Nações e dos povos Salvador... Ó Senhor e nosso Deus”.
A espiritualidade do Tempo do Advento está focalizada na esperança e purificação da vida, sendo, portanto, período forte de penitência e conversão. Assim, a cor predominante é a roxa, mas recomenda-se a rosa no 3º domingo do advento, simbolizando a espera alegre, que enche nossos corações de esperança. Durante o Advento não se canta o Glória e é recomendável a participação no sacramento da Reconciliação (confissão).
Que possamos conhecer mais a liturgia a fim de celebrarmos melhor! Que não apenas assistamos à Missa, mas que participemos frutuosa, consciente e plenamente das celebrações!



 



← Postagem mais recente Postagem mais antiga → Página inicial

0 comentários:

Postar um comentário

Curtiu? Então Comente e Compartilhe!