Nossos Santos: Beata Nhá Chica


Beata Nhá Chica


Filha e neta de escravos, Francisca de Paula de Jesus nasceu em 1810, no povoado de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, um dos atuais cinco distritos de São João Del Rei (MG), onde também foi batizada no dia 26/04. Pouco tempo depois sua família mudou-se para a cidade de Baependi, no sul de Minas, onde viveu até a morte.
Francisca ficou órfã aos dez anos. Mulher humilde era fervorosa devota de Nossa Senhora da Conceição, a quem chamava carinhosamente de "Minha Sinhá" que quer dizer: "Minha Senhora", e nada fazia sem primeiro consultá-la. A pedido de sua mãe, Nhá Chica passou a vida inteira a dedicar-se à prática de caridade; como leiga, foi chamada ainda em vida de "a mãe dos pobres" e era respeitada por todos que a procuravam, desde os mais humildes aos homens do Império. Se dava bem com os pobres, ricos e com os mais necessitados. Atendia a todos os que a procuravam, sem discriminar ninguém e, para todos tinha uma palavra de conforto, um conselho ou uma promessa de oração. Muitas pessoas não tomavam decisões sem primeiro consultá-la; era considerada uma "santa". Ao povo ela dizia com tranquilidade: "... É porque eu rezo com fé". Sua fama de santidade foi se espalhando de tal modo que pessoas de muito longe começaram a visitar Baependi para conhecê-la, conversar com ela, falar-lhe de suas dores e necessidades e, sobretudo para pedir-lhe orações. A todos, atendia com a mesma paciência e dedicação.
Nhá Chica era analfabeta; desejava somente ler as Escrituras Sagradas, mas alguém as lia para ela, e a fazia feliz. Compôs uma Novena à Nossa Senhora da Conceição e em Sua honra, construiu, ao lado de sua casa, uma Igrejinha, onde venerava uma pequena Imagem de Nossa Senhora da Conceição que era de sua mãe e, diante da qual, rezava piedosamente para todos aqueles que a ela se recomendavam. Essa Imagem, ainda hoje, se encontra na sala da casinha onde ela viveu, sobre o Altar da antiga Capela. Em 1954, a Igreja de Nhá Chica (hoje Santuário Nossa Senhora da Conceição) foi confiada à Congregação das Irmãs Franciscanas do Senhor. Desde então teve início bem ao lado da Igreja, uma obra de assistência social para crianças necessitadas que vem sendo mantida por benfeitores devotos de Nhá Chica (Associação Beneficente Nhá Chica - ABNC).

A Venerável morreu no dia 14 de junho de 1895, estando com 87 anos de idade, mas foi sepultada somente no dia 18, no interior da Capela por ela construída. As pessoas que ali estiveram sentiram exalar-se de seu corpo um misterioso perfume de rosas durante os quatro dias de seu velório. Tal perfume foi novamente sentido no dia da exumação do seu corpo. Foi beatificada em 4 de maio de 2013, em Baependi, em cerimônia presidida pelo prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, o cardeal Angelo Amato, representante da Santa Sé, que anunciou a data de 14 de junho como a festa litúrgica em memória de Nhá Chica. Ela se tornou a primeira leiga e negra brasileira a ser declarada beata pela Igreja Católica.

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